As Embarcações Vikings e Suas Tecnologias Náuticas

 01Vikings foram um povo construtor de navios e sua cultura era dedicada ao mar. A expansão de sua civilização e de suas conquistas se deve diretamente ao seu conhecimento em tecnologia náutica, a mais sofisticada de toda a Idade Média.Existiam vários tipos de embarcações no mundo escandinavo. Uma palavra muito comum hoje em dia – drakkar (dragões), na realidade, foi criada pelos franceses e não tem origem nórdica. O barco simples (bote) era chamado de batr e faering, e o navio propriamente de skip. Existiam vários tipos de navios, sendo os mais comuns o langrskip(navio longo, chamado também de herskip), utilizado para guerra, e o knorr, para fins comerciais. Ocorriam navios mistos, como o karfi, utilizado para passeio, recreação ou exibições oficiais da realeza. O tipo de embarcação mais numerosa nos tempos vikings eram os botes, utilizados para pescaria, transporte de pessoas entre as cidades e o litoral e comércio.

A construção das embarcações era uma verdadeira arte, transmitida de pai para filho,sem nenhum desenho ou esboço como guia. A tradição oral e a experiência era as mestras.O carpinteiro era chamado stenfsmior e era quem escolhia as melhores árvores a serem utilizadas para a construção: para o casco, madeira de carvalho; para o convés e mastro, o pinheiro. A construção do barco começa pela roda de proa, a parte da frente. Ela é talhada em uma única peça de madeira. Após sua colocação, monta-se uma peça idêntica na popa e entre as duas, a quilha. Para controle da direção, utilizava-se um leme feito de madeira maciça, preso por um cabo e fixado na popa. Estaleiros foram instalados nos portos. Muitos navios eram construídos e reformados ao mesmo tempo, de acordo com a demanda. Em Paviken (Suécia Báltica), foi descoberto uma “doca seca” , onde as embarcações podiam atracar enquanto se faziam as reparações.

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Em Fribrodre (Dinamarca), também foram localizados fragmentos, que fizeram os especialista concluírem que a madeira dos navios antigos era utilizada para reparar barcos novos. Utilizavam-se tanto a única vela de lã como os remos para movimentar as embarcações, as vezes, as duas ao mesmo tempo. A lã tinha origem animal e era impermeável. Os ataques relâmpagos eram possíveis graças à enorme rapidez e extrema maneabilidade das embarcações longas. O segredo da pirataria bem sucedida: navios ágeis e velozes. Os maiores navios de guerra chegavam a ter 55 metros de comprimento. E a média da velocidade de um navio longo era de 8 a 10 nós (18 km/h). Outra vantagem dos navios de guerra era a possibilidade de serem transportados por terra seca. Para tanto,baixavam o mastro, recolhiam os remos, suspendiam o leme e faziam a embarcação rolar sobre troncos de árvores ou sobre rodas de madeira (construídas no próprio local de transporte). Em alto mar, a vida a bordo dos navios não era fácil. Muitos morriam pelo frio ou umidade, especialmente no Atlântico Norte. Seus corpos eram atirados ao oceano. O costume de pendurar escudos nas amuradas dos langrskips era cerimonial, e para a navegação propriamente dita eles eram retirados: num navio em movimento, cruzando os mares, os escudos seriam varridos pela água. Somente os navios de batalha utilizavam carrancas de animais (principalmente dragões) nas proas. Os cargueiros eram mais pesados, redondos e sem remos, conforto ou enfeites. Todo o espaço era reservado para a carga e dependiam totalmente do vento para navegação. Para orientar a navegação em alto mar, os marinheiros utilizavam a experiência geográfica, memória, observação das rotas das aves marinhas e peixes, variação da cor da água, astronomia e o uso de equipamentos. Não existiam cartas náuticas e nem o conhecimento da bússola magnética. A avaliação da posição baseada nos cálculos do rumo seguido da velocidade era muito comum. Direções eram calculadas em relação ao Sol e Lua (estão mais altos quando o navio ruma ao sul e mais baixos, quando navegam na direção oposta), direção do vento e à ondulação. Existe a possibilidade dos Vikings utilizarem a medida da estrela polar (indica o norte), como os árabes faziam.

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O que se sabe de concreto, é que existiam bússolas solares: foram descobertos vestígios de um disco de madeira e de esteatita triangular, ambos nas colônias nórdicas da Groenlândia. Esses objetos possuíam entalhes laterais, marcando as graduações da bússola. No centro, possuíam um gnômon – uma haste vertical que projetava uma sombra do Sol. Para verificar qual era o rumo da embarcação, girava-se esse disco até que o sombrado gnômico toque a curva apropriada, para em seguida fazer a leitura dos entalhes laterais.Marcações paralelas no disco, em relação à sombra do gnômon, indicavam a direção norte. Os navios Vikings mais famosos são os de Gokstad (Noruega, descoberto em 1880) e Oseberg (Noruega, 1904) e Skuldelev (Dinamarca, 1956). Todos foram recuperados pela arqueologia e hoje se encontram em museus náuticos.

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